pastagem de braquiarão Marandu formada e manejada

Resumo rápido: O Braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu) é a forrageira mais plantada do Brasil, cobrindo cerca de 50% das pastagens cultivadas no país. Semeie entre outubro e novembro (início das chuvas), use 3,5 a 5 kg/ha de sementes puras e viáveis, e corrija o solo para V% = 40–50% antes do plantio. A formação leva de 90 a 120 dias.


Se você precisa de uma forrageira robusta, adaptada ao Cerrado e ao Norte do Brasil, fácil de manejar e com alta produção de biomassa, o Braquiarão é, provavelmente, a escolha mais segura do mercado.

Introduzido no Brasil em meados dos anos 1960 e lançado comercialmente em 1984, o cultivar Marandu da Brachiaria brizantha revolucionou a pecuária de corte nacional. A taxa de lotação das pastagens brasileiras saltou de 0,3 UA/ha para 1,5 UA/ha com a chegada das espécies de Brachiaria, ajudando o Brasil a se tornar o maior produtor de carne bovina do mundo.

Neste guia completo você vai encontrar tudo o que precisa para implantar, manejar e manter uma pastagem de Braquiarão produtiva — com dados técnicos da Embrapa e recomendações práticas para o dia a dia do produtor.


O Que é o Braquiarão (Brachiaria brizantha cv. Marandu)?

O capim-marandu é uma gramínea forrageira perene, de hábito de crescimento cespitoso, formando touceiras de até 1,0 m de diâmetro e afilhos com altura de até 1,5 m. Suas raízes são profundas, o que favorece sua sobrevivência durante períodos de seca prolongados.

A Brachiaria brizantha é a espécie mais utilizada no Brasil, correspondendo a 50% das pastagens brasileiras, com três cultivares bem consolidados: Marandu (o famoso Braquiarão), Piatã (lançado pela Embrapa em 2007) e Xaraés (lançado em 2003).

Ficha Técnica — Braquiarão Marandu

CaracterísticaDado
Nome científicoBrachiaria brizantha cv. Marandu
OrigemÁfrica Tropical
Hábito de crescimentoCespitoso, semi-ereto
Altura1,0 a 1,5 m
Precipitação ideal1.000 a 3.500 mm/ano
Altitude0 a 1.800 m
pH tolerado4,0 a 8,0
Formação90 a 120 dias
Produção MS (período chuvoso)10 a 12 t/ha
Produção MS (período seco)2 a 4 t/ha
Proteína bruta (rebrote 2–6 semanas)7 a 15%
Digestibilidade (DIVMS)65 a 72%

Vantagens e Limitações do Braquiarão

✅ Por que escolher o Braquiarão?

O capim-marandu apresenta boa adaptação e produção de forragem em solos de média fertilidade natural, excelente comportamento em solos arenosos, sistema radicular profundo que permite a obtenção de água durante os períodos de seca, resistência ao ataque das cigarrinhas-das-pastagens e maior palatabilidade que as outras espécies de Brachiaria.

Além disso, o capim-marandu é de mais fácil manejo, não apresenta problemas com alongamento de colmos (plasticidade) e também não apresenta florescimento concentrado em um só período do ano — o que facilita o planejamento do pastejo ao longo do ano.

⚠️ Pontos de Atenção

  • Não tolera encharcamento: requer solos bem drenados. Em áreas sujeitas a alagamento, considere outras espécies como a Brachiaria humidicola.
  • Síndrome da morte do braquiarão: um ponto de atenção significativo é a síndrome da morte do braquiarão, também conhecida como “morte súbita do braquiarão”, um problema de grande impacto nas regiões central e norte do país. Veja mais sobre prevenção ao final deste artigo.
  • Exige manutenção da fertilidade: sem adubação de manutenção periódica, a pastagem degrada rapidamente.

Quando e Como Plantar Braquiarão

Época Ideal de Plantio

A semeadura deve ser realizada no início do período chuvoso (outubro/novembro). Plantar com as chuvas garante umidade suficiente para a germinação e o estabelecimento inicial sem necessidade de irrigação.

Evite plantar:

  • No pico do período seco (junho a agosto) — risco elevado de falhas na germinação
  • No final das chuvas (março/abril) — tempo insuficiente para formação antes da estiagem

Taxa de Semeadura (kg/ha)

A recomendação de taxa de semeadura é de 3,5 a 5,0 kg/ha de sementes puras e viáveis, dependendo das condições de plantio. A profundidade de semeadura deve ser de 3 a 6 cm.

💡 Atenção ao Valor Cultural (VC): a taxa de semeadura acima é para sementes com VC = 100%. Calcule a dose real para o VC da semente que você vai comprar com a fórmula: Dose real = (Dose padrão ÷ VC real) × 100. Exija o laudo de análise de sementes do fornecedor.

Métodos de Plantio

MétodoComo fazerIndicado para
A lançoDistribuição manual ou mecanizada na superfícieGrandes áreas, reforma de pasto
Em sulcosSulcos de 0,6 a 1,0 m entre linhas, semente enterrada 3–6 cmÁreas novas, maior controle
Consorciado com milhoSemeadura junto à adubação de cobertura do milho (V3–V5)ILP (Integração Lavoura-Pecuária)

Correção do Solo e Adubação

O investimento em sementes de qualidade só se converte em pastagem produtiva se o solo estiver corrigido. Esse é o passo mais importante — e mais negligenciado — na implantação de pastagens.

Calagem

Recomenda-se aplicar calcário para elevar a saturação por bases do solo para 40%. Como os solos da região Amazônica normalmente apresentam baixos teores de cálcio e magnésio, recomenda-se, preferencialmente, a utilização de calcário dolomítico.

O calcário deve ser aplicado a lanço de modo mais uniforme possível e incorporado ao solo, preferencialmente, no final do período chuvoso anterior ao plantio. Quando a recomendação for inferior a 3 t/ha, sugere-se fazer uma única aplicação, seguida da incorporação com arado ou grade pesada. Para doses maiores, recomenda-se aplicar metade antes da primeira aração e a outra parte antes da segunda gradagem.

👉 Quer saber como calcular a dose de calcário para a sua área? Leia nosso guia completo: Calcário Agrícola: Quando Aplicar e Como Calcular a Dose Certa

Adubação de Implantação

  • Fósforo (P₂O₅): 50 a 100 kg/ha — nutriente mais limitante em solos do Cerrado e Norte do Brasil
  • Potássio (K₂O): conforme análise de solo
  • Nitrogênio (N): 30 a 60 kg/ha em cobertura, dois meses após a emergência (solos com MO < 1,5%)
  • Enxofre (S): nutriente frequentemente esquecido, mas essencial — use fontes que contenham S na formulação

Adubação de Manutenção

Em solos pobres do Cerrado, a adubação de manutenção deve ser de 80 kg/ha/ano de P₂O₅ e de 80 kg/ha/ano de K₂O, além de calcário. No pastejo contínuo, recomenda-se adubações anuais de manutenção de, pelo menos, 50 kg/ha/ano de nitrogênio.

As pesquisas demonstram que a manutenção da fertilidade pode ser realizada a cada três anos, ao menos, com base em resultados de análise de solo.


Manejo do Pastejo

Primeiro Pastejo (Formação)

O tempo de formação gira em torno de 90 a 120 dias após germinação e o primeiro pastoreio deve ser feito aos 90 dias com gado leve (boi magro, garrotes). No momento da entrada dos animais, a pastagem apresenta altura em torno de 1,0 m, devendo o gado ser retirado quando a mesma chegar a 30 cm do solo.

Pastejo Contínuo

No pastejo contínuo, a altura da pastagem deve permanecer entre 25 e 35 cm. Abaixo de 20 cm, a pastagem perde vigor e fica vulnerável à degradação e invasão de plantas daninhas.

Pastejo Rotacionado

No pastejo rotacionado, a altura de entrada dos animais deve ser de 30 cm e a saída de 20 cm. O pastejo rotacionado permite maior controle da oferta de forragem e melhor desempenho animal, especialmente em sistemas intensivos.

Diferimento de Pastagem (Vedação)

Para garantir forragem na seca, as pastagens podem ser diferidas em março para utilização em junho e julho, e em abril para utilização em agosto e setembro. Com este sistema são obtidos rendimentos de matéria seca entre 5 e 7 t/ha.


Capacidade de Suporte e Desempenho Animal

Pastagens bem formadas e manejadas apresentam uma capacidade de suporte de 1,5 a 2,5 UA/ha no período chuvoso e 1,0 a 1,5 UA/ha no período seco, dependendo do sistema de pastejo adotado e da disponibilidade de forragem.

O Braquiarão pode proporcionar um ganho de peso de 590 a 850 g/animal/dia nas águas e de 110 a 400 g/animal/dia durante a seca, em animais desmamados. Suporta uma carga animal de 2 UA/ha nas águas e 1 UA/ha na seca.

Comparativo: Braquiarão x Outras Forrageiras

ForrageiraProdução MSProteína BrutaManejoTolerância à seca
Braquiarão (Marandu)Alta7–15%FácilBoa
Brachiaria PiatãMédia-Alta8–17%MédioBoa
Capim MombaçaMuito Alta10–18%IntensivoMédia
Capim MassaiMédia9–14%FácilAlta

Síndrome da Morte do Braquiarão: Como Prevenir

A “morte súbita do braquiarão” é um dos principais riscos para quem usa essa forrageira nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. Embora as causas ainda sejam estudadas, os fatores que aumentam o risco são bem conhecidos:

Fatores de risco:

  • Solos com excesso de umidade (mesmo que temporário)
  • Compactação do solo
  • Fertilidade em declínio (pastagem degradada)
  • Altitudes acima de 700 m com solos argilosos

Como reduzir o risco:

  • Escolha áreas com boa drenagem natural
  • Mantenha a adubação de manutenção em dia
  • Faça análise de solo a cada 2–3 anos
  • Em regiões de maior risco, considere substituir por cultivares mais tolerantes como o Xaraés ou o BRS Ipyporã

Para áreas onde o Marandu apresenta histórico de morte, avalie o uso da Brachiaria Piatã, que tem boa adaptação a solos de menor drenagem e excelente valor nutritivo.


Consorciação com Leguminosas

Por apresentar hábito de crescimento semi-ereto, o capim-marandu forma consorciações bastante equilibradas com leguminosas forrageiras como pueraria, desmódio, stylosanthes, arachis e centrosema.

O consórcio com leguminosas traz dois benefícios principais:

  • Melhora o valor nutritivo da dieta animal (mais proteína)
  • Reduz a necessidade de adubação nitrogenada (fixação biológica de N)

Braquiarão em ILP (Integração Lavoura-Pecuária)

As cultivares de Brachiaria brizantha são adequadas para integração lavoura-pecuária. Quando consorciadas com milho, recomenda-se uma densidade menor (6 a 12 plantas/m²) para evitar competição e perda de produtividade dos grãos. A semeadura tardia da forrageira, junto com a adubação de cobertura do milho no estádio V3–V5, é a prática mais recomendada para o consórcio.


Perguntas Frequentes sobre Braquiarão (Marandu)

Quantos kg de braquiarão Marandu por hectare? A taxa recomendada é de 3,5 a 5,0 kg/ha de sementes puras e viáveis (VC = 100%). Para sementes com VC menor, divida 100 pelo VC da semente e multiplique pela dose padrão para obter a dose corrigida. Sempre exija o laudo de análise de sementes com a pureza e a germinação informadas.

Em quanto tempo o braquiarão Marandu está pronto para o pastejo? O tempo de formação é de 90 a 120 dias após a germinação. O primeiro pastejo deve ser feito com gado leve (garrotes ou novilhas magras) quando a pastagem atingir cerca de 1,0 m de altura. Retire os animais quando a pastagem chegar a 30 cm do solo.

Braquiarão Marandu suporta quantas cabeças por hectare? Em pastagens bem manejadas e adubadas, a capacidade de suporte é de 1,5 a 2,5 UA/ha no período chuvoso e 1,0 a 1,5 UA/ha na seca. 1 UA equivale a um bovino de 450 kg. Em pastagens degradadas ou sem adubação, essa capacidade cai drasticamente.

Braquiarão Marandu serve para o Norte do Brasil e Maranhão? Sim. O Marandu é amplamente utilizado no Maranhão, Pará, Tocantins e demais estados do Norte/Nordeste, onde é uma das forrageiras mais plantadas. Adapta-se bem a solos argilosos ou arenosos desde que bem drenados e com chuvas anuais acima de 1.000 mm.

O braquiarão Marandu resiste à cigarrinha-das-pastagens? Sim. Essa é uma das principais vantagens do cultivar Marandu em relação à Brachiaria decumbens (braquiarinha). Apresenta boa tolerância à cigarrinha, tornando-se uma alternativa segura em áreas de alta infestação — com exceção de algumas regiões do extremo Norte.

Qual a diferença entre Braquiarão Marandu e Brachiaria Piatã? Ambos são cultivares de Brachiaria brizantha. O Piatã tem valor nutritivo ligeiramente superior (mais proteína) e melhor adaptação a solos com menor drenagem. O Marandu tem manejo mais fácil, não apresenta florescimento concentrado e é mais amplamente disponível no mercado. Leia a comparação detalhada no nosso artigo sobre a Brachiaria Piatã.


Conclusão: Braquiarão Marandu Vale a Pena?

Depois de quase 40 anos como líder de mercado, o Braquiarão Marandu continua sendo uma das escolhas mais seguras para quem quer implantar ou reformar pastagem no Brasil — especialmente nas regiões do Cerrado, Maranhão e Norte do país.

A chave para o sucesso é simples: análise de solo + calagem correta + semente de qualidade + manejo da altura do pastejo. Produtores que seguem esse protocolo relatam pastagens produtivas por 8 a 12 anos sem necessidade de reforma total.

Se você está avaliando outras forrageiras antes de decidir, confira também nossos guias sobre o Capim Mombaça, a Brachiaria Piatã e o Capim Massai — cada um com perfil de manejo e indicação diferentes.


Referências e Fontes


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